História de BH

Você conhece a história de Belo Horizonte?

Sabe como se deu a construção das avenidas e ruas de BH ? Vamos compartilhar um pouco da história da atual capital mineira com vocês. Desde a inconfidência — movimento de elites culturais e econômicas contra o domínio português que marcou o século XVIII — predominava em Minas Gerais o desejo de mudar a localização da sua capital. No final do século XVI, com a proclamação da república, um clima propício para a concretização desse sonho de mudança tomou conta da população.

Vila Rica (atualmente Ouro Preto) a então capital do Estado, não oferecia mais condições adequadas para o crescimento econômico esperado. Com o aumento da população o saneamento e a higiene estariam comprometidos. Aspectos como o transporte e a comunicação também eram dificultados pelo relevo acidentado da cidade. Além disso, as igrejas e construções barrocas, os porões e senzalas de Vila Rica eram símbolos de um período de exploração e imperialismo. Um passado colonial que os republicanos queriam enterrar.

Foi então que no ano de 1891, o presidente do Estado, Augusto de Lima, formulou um decreto determinando a transferência da capital para um lugar que oferecesse melhores condições para o desenvolvimento. O Congresso Mineiro, com o aval do Governo Estadual, escolheu entre cinco localidades: Barbacena, Paraúna, Juiz de Fora, Várzea do Marçal e Curral Del Rei (atualmente Belo Horizonte), sendo este último considerado como o mais apropriado.

Mas quais foram os motivos para a escolha do Curral Del Rei?

Localização, clima, topografia, condições do solo para agricultura, são apenas alguns dos fatores analisados. A escolha foi acertada, pois, em poucos anos, o modesto arraial Curral Del Rei se tornou um importante centro de abastecimento e produção. O local abrigava o governo, as escolas e as universidades do estado. O prazo máximo para a inauguração da cidade que era de quatro anos, estava acabando. Assim, a lei nº 3 (de 17 de dezembro de 1893), foi assinada pelo então presidente de Minas Gerais, Afonso Pena, determinando que a nova sede do governo se chamasse “Cidade de Minas” e criando a Comissão Construtora. Composta por técnicos responsáveis pelo planejamento e execução das obras para a construção da nova capital, tal comissão era responsável pela criação da história das vias de Belo Horizonte.

Alguns dos melhores engenheiros e arquitetos do país integravam esse grupo. Chefiados por Aarão Reis, engenheiro paraense que marcou a história de BH, esses profissionais criaram uma cidade planejada nos moldes de Paris e Washington. No princípio, haviam, sobretudo, preocupações básicas como as condições de higiene e circulação humana. Assim, dividiram a cidade em três principais zonas: a área central urbana, a área suburbana e a área rural.

Área urbana: corresponde à área central. Planejada cuidadosamente por Aarão Reis. Esta área foi delimitada pela Avenida 17 de dezembro, conforme registrado na planta original. Atualmente é denominada Av. do Contorno. Suas ruas retas, formam uma espécie de quadriculado. As avenidas, mais largas, foram dispostas em sentido diagonal. Esta área receberia toda a estrutura urbana de transportes, educação, saneamento e assistência médica. Abrigando os edifícios públicos dos funcionários estaduais e estabelecimentos comerciais.

Área suburbana: área que circunda a Avenida do Contorno. Composta por ruas irregulares foi recebendo aos poucos a infra-estrutura urbana, com a ideia de ser ocupada mais tardiamente. Hoje, corresponde aos bairros mais antigos da cidade exemplo: Floresta, Lagoinha e Santa Efigênia.

Área Rural: corresponde à área que circundava a Zona suburbana. Era destinada à produção de hortigranjeiros, com o objetivo de abastecer as outras zonas.

O prazo para a inauguração da cidade estava quase no fim. Para cumpri-lo, a “Cidade de Minas” foi inaugurada, às pressas, em 12 de dezembro de 1897. O governo concedeu lotes gratuitos, ajudando na construção das residências e incentivando a povoação da cidade.

Somente em 1906, a “Cidade de Minas” recebeu o nome de “Belo Horizonte”. À época, observava-se uma importante expansão industrial na região, contribuindo para o fortalecimento do comércio e da prestação de serviços.

E então, como as ruas de BH receberam seus nomes?

Você, morador de BH, ou frequentador da cidade, já parou para pensar o por que suas ruas recebem tais nomes? A nomenclatura dada às ruas de BH foi pensada como forma de homenagear os estados brasileiros, as tribos indígenas, os rios brasileiros e importantes nomes que marcaram a história da cidade.

Homenagens aos estados brasileiros – as ruas de BH seguem uma sequência de acordo com o mapa do Brasil. Entenda: Rua São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e assim por diante elas vão se sucedendo. As ruas em homenagem aos estados do Paraná e do Amazonas receberam o nome das respectivas capitais. Então, abaixo da Rua São Paulo temos a Rua Curitiba, assim como acima da Rua Grão Pará, encontramos a rua Manaus. O motivo de tais ruas de BH receberem nomes das capitais dos dois estados é que a maior parte das avenidas ganhou nome dos grandes rios brasileiros, dentre elas, os rios Paraná e Amazonas.

Homenagens a tribos indígenas – cruzando as que têm nomes de estados, podemos observar as ruas com nomes de tribos indígenas. Exemplos: ruas Tupinambás, Tamoios, Guarani, Guajajaras, Timbiras, Aimorés, Caetés, etc. Em homenagem às tribos que habitaram nosso país.

Homenagens a personagens da história da cidade – diversas ruas e avenidas receberam nomes de personagens importantes para a história de Belo Horizonte e de Minas Gerais. Tais nomes foram eleitos pela Comissão Construtora e pelo governo mineiro para serem homenageados. Exemplos: Rua Cláudio Manuel, Fernandes Tourinho, Tomé de Souza, Gonçalves Dias, Av. Álvares Cabral, etc.

Homenagens aos rios brasileiros – Os grandes rios brasileiros também foram lembrados na escolha dos nomes de algumas avenidas e ruas de BH. Vias como as Avenidas Tocantins, São Francisco, Paraobeba, Araguaia e outras receberam seus nomes como forma de ressaltar a importância dos rios brasileiros. Com o passar dos anos essas avenidas receberam nova nomenclatura em homenagem a políticos. Apenas a Avenida Paraná e a Avenida Amazonas mantiveram os nomes.

Ruas de BH que tiveram seus nomes modificados:

ruas de BH

Avenidas que originalmente receberam nomes de rios, mas ao longo dos anos receberam nova nomenclatura:

pelas ruas de BH

Falando um pouco sobre as Praças de Belo Horizonte

As praças de Belo Horizonte foram nomeadas com datas cívicas: 7 de Setembro, 12 de Outubro, 14 de Setembro, 13 de Maio. No ano de 1922, foram realizadas grandes comemorações pelo centenário da Independência do Brasil. Na ocasião decidiu-se, então, fazer um monumento para celebrar o acontecimento. O local escolhido para abrigá-lo foi a principal praça da cidade de Belo Horizonte – a Praça 12 de outubro. Autoridades da época consideraram de certa forma não tão representativo um monumento em homenagem ao centenário da independência em uma praça chamada 12 de Outubro. Então, realizaram a troca dos nomes. A Praça 12 de Outubro passou a se chamar 7 de Setembro e vice-versa. Hoje, a Praça que passou a se chamar 12 de Outubro, chama-se Benjamim Guimarães, não reconheceu este nome? A Praça é popularmente conhecida por Praça ABC.

Praças de Belo Horizonte que receberam novos nomes ao longo da história:

 

*Foto de capa gentilmente cedida por Lucas Apgaua

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